V. tem 40 anos, é uma líder carismática, visionária, com um perfil
acelerado, pressionante e assertiva…a raiar para o agressivo. Invejada pela sua
capacidade de almejar mais longe e dona de uma capacidade divergente fora de
série, simultaneamente e paradoxalmente, ao mesmo tempo que apaixona, acicata e
desperta emoções primárias negativas que surgem quase de forma incontrolável
nas suas equipas.
Como o coração tem
razões que a própria razão desconhece, as próprias equipas acabam por ter
comportamentos incongruentes, apoiando a V. com a razão, mas não com o coração –
não que conscientemente não achem que muitas vezes quando V. apresenta os seus
argumentos, eles não sejam a melhor solução, mas “vá se lá saber porquê”, os
seus comportamentos são traídos por uma intencionalidade emocional que está
latente, mas que não está ao nível do consciente.
Traduzindo, de forma simples, esta equação, o que se passa é que a
componente emocional no ser humano continua a imperar e a ditar regras – mesmo que
racionalmente as equipas concordem com a V. quando afirma que as regras são para ser
cumpridas, ao afirmá-lo di-lo de uma forma agressiva, verbal e não-verbal e,
apesar da concordância racional, gera nas suas equipas uma determinada tensão
emocional negativa que se vai acumulando.
Entretanto V. não pode fazer tudo sozinha e precisa da sua equipa,
precisa de os entusiasmar, de levá-los para uma tensão criativa que possa gerar
uma acção dinamizadora e proactiva. E o que é acontece nas suas equipas? Qual é
o comportamento delas? Inércia, status quo, inacção, resistência à mudança. O
que aconteceu? Sabotagem inconsciente. As emoções negativas geraram de facto
uma sabotagem inconsciente (ou mesmo consciente) e V. obviamente sente-se
desolada, frustrada e incapaz de mover e liderar a sua equipa para uma nova
fronteira do desempenho, continuando a movimentar-se numa liderança mais transacional
e dessa forma não consegue tornar-se numa verdadeira líder transformacional que
catapulta a sua equipa para desempenhos extraordinários.
V. não é uma personagem ficcional. Existe e verifiquei in loco tudo
aquilo que foi retratado. Os líderes de hoje e os líderes de amanhã têm que se
consciencializar que os liderados de hoje e os liderados de amanhã, já não
toleram determinadas lideranças tóxicas, querem e desejam líderes exigentes,
visionários, mas líderes positivos que transformem e não destruam o potencial
criativo de cada um através do controlo e da utilização de emoções negativas,
porque depois o que acontece de seguida …é uma inevitabilidade biológica.
Nuno Gonçalves - Partner LearnView
Nuno Gonçalves - Partner LearnView
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