Aldous Huxley,
em 1932, no seu livro “Admirável Mundo Novo", descreve uma sociedade constituída
por castas, onde os indivíduos são pré-determinados à nascença e, viviam numa
sociedade burocrática que controlava cada individuo através de um
condicionamento mental e sempre que existissem “dúvidas” elas seriam apagadas
com “soma”, uma droga que permitia neutralizar a liberdade individual e
preservar a suposta harmonia. O livro encontra-se na mesma linha de “1984”, de
George Orwell, que retrata uma sociedade híper-controladora e repressora. Ambos os livros entraram no nosso imaginário e as
expressões “Admirável mundo novo” e “Big Brother” são jargões correntemente utilizados
quando queremos descrever sociedades e/ou organizações e/ou equipas onde a
liberdade individual é posta em causa.
Será que uma hipotética natureza humana, “Orwelliana”
e “Huxleyana”, por assim dizer, ditarão regras, mesmo que de forma encapotada e
nos governarão, limitando o espaço individual? 1984 poderá realizar-se, em
2084?
Mesmo que hiperbolizados, estes medos existem. Até
porque existe em nós uma reverência a autoridade, ainda bem presente nas
investigações de Milgram - participantes numa experiência, davam choques
elétricos a outras pessoas (actores) apenas porque lhes era pedido e faziam-no
por pura obediência à autoridade. Assistimos também à esta obediência em
contexto militar, em que por obediência à autoridade cometeram-se os mais graves
crimes da história.
No entanto, o futuro anseia por novos lideres e quando
hoje em dia pensamos em líderes, em organizações de futuro, pensamos em
organizações horizontalizadas e capazes de potenciar a autonomia e a liberdade
criativa de cada individuo, utilizando o controlo não como doutrina restritiva
da acção humana, mas como elemento crítico na orientação para resultados.
Os líderes do futuro, espera-se que sejam capazes de
eliminar os medos inconscientes que (sobre) vivem em nós sobre a (falta de) liberdade
individual e consigam capacitar os indivíduos e as equipas para uma autonomia
responsável, criando e desenvolvendo em cada individuo o sentido e a vontade
para que eles procurem atingir os objectivos individuais e colectivos.
Será no entanto uma utopia pensar que no futuro
abundem tais líderes?Nuno Gonçalves - Partner LearnView
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