Estes
últimos dois anos sugerem que, em termos empresariais, há duas correntes
distintas em Portugal. Uma em que tudo piora de dia para dia, numa espiral
negativa em termos de transacções e em termos de produtividade que não
raramente culmina com encerramentos e desemprego. A outra, em muito menor
percentagem, claro, apresenta-nos empresas a crescer, algumas acima de dois
dígitos, a desenvolver novas áreas de negócio, com uma expansão geoestratégica
em curso e com índices de produtividade ao nível dos melhores do mundo.
A
obtenção de resultados muito positivos neste período negro da nossa
economia (e da nossa História), prova aos trabalhadores dessas
empresas que podem tudo; fazer tudo, ser tudo, ter tudo. A possibilidade de
realização pessoal e profissional (tendemos a esquecer isto quando vamos
progredindo) é um dínamo irresistível na motivação de um profissional. E é aqui
que começa a explicação para haver empresas com um elevado nível de desempenho
e de resultados, enquanto a maioria (também por via da crise mas não só)
luta para não desaparecer.
São
muitos os factores que entram nesta equação mas talvez seja possível agrupá-los
todos na Visão, Preparação e Mentalidade.
Tentar
antecipar o rumo que o mundo vai seguir para antecipar uma ideia geradora
de valor não é fácil e dá muito trabalho. Não é só uma questão de feeling, é uma busca
permanente, uma vontade acicatada de criar algo, de fazer algo, são longas
horas de observação do que nos rodeia e longas horas de sonhos com os olhos
abertos. Preparar-se para o pior quando se está a viver o melhor é um
conceito aceite por todos mas praticado por poucos. Mudar de rumo as vezes que
forem necessárias por se acreditar no melhor quando se vive o pior, também é
muito mais simples na teoria do que na prática.
A questão
da preparação, torna-se uma necessidade quando há uma visão convicta, é uma
despesa ou pior, uma inutilidade, para quem não compreende que "o que nos trouxe até aqui não
nos levará mais longe". Criar uma cultura de formação
(coaching, desenvolvimento pessoal) permanentes não é fácil nem simples. Não é
fácil porque obriga a investir bastante nas pessoas e não é simples
porque requer um plano de desenvolvimento estruturado e faseado com uma
objectividade ancorada nas necessidades não do presente mas do
futuro. Isto só é possível com um parceiro exterior, independente, livre
da perspectiva enviesada que o envolvimento diário torna inevitável. Esta é uma
vantagem competitiva que mantém a empresa no topo do mercado em termos de
qualidade e de preparação técnica e na vanguarda do comprometimento por
parte dos seus colaboradores. Uma equipa verdadeiramente motivada
em permanência continua a crescer e a fazer crescer a sua empresa, seja em
que circunstância for. Quando o mercado cria esta percepção de uma
empresa, o sucesso é imediato.
Por
outro lado, no mundo em que vivemos, à velocidade que com que tudo se passa, a
preparação da empresa em termos de meios (ferramentas informáticas, etc.),
é determinante. Ter sistemas, processos ou estruturas que permitam
que as competências e os resultados fluam e se tornem em activos para a
empresa, é determinante.
Por
fim, a mentalidade. É um tema complexo. Comecemos por dizer que não pode haver
a visão de Altos Objectivos/Baixa Actividade. O desenvolvimento pessoal e
conhecimentos técnicos possibilitados pela formação que a empresa lhe
proporciona, cria no colaborador um sentimento de forte compromisso
e eleva os seus níveis de motivação e autoconfiança. Esta mistura é
explosiva em termos de sucesso. A percepção do elevado valor da recompensa
- no cumprimento de metas - é uma capa impenetrável pela desmotivação, falta de
lealdade ou pelo ócio. É crítico que o sistema de recompensas permita aos
colaboradores sentirem que podem realizar os seus melhores sonhos com o fruto
do seu trabalho. É crítico que eles sintam que a empresa partilha com eles
o melhor que obtém. Este é o colaborador da mentalidade Altos
Objectivos/Alta actividade. Assim se cria uma mentalidade onde não há
empregador nem empregado, há diferentes pessoas e entidades com diferentes
funções mas que são um corpo único com os mesmos objectivos. É
crítico que, no recrutamento, se avalie a mentalidade de cada um antes de
seleccionar, este é o colaborador do futuro que acaba por ser barato - mesmo
com tanto dinheiro investido nele - porque tem uma camisola vestida e a sua permanência na
empresa rentabiliza profundamente esse investimento.
De
uma forma genérica estas são, na nossa opinião, as características que
permitem a uma empresa sobrevoar as crises em direcção ao sucesso.
Obviamente que isto não é simples mas é mais simples do que não fazer
diferente, não inovar, quando não está a funcionar.
"Não
há comparação entre o que se perde por fracassar e o que se perde por não
tentar" (Francis Bacon)
Paulo Dantas da Costa
– Partner Learnview
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